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OS TREZE PORQUÊS

OS TREZE PORQUÊS

18/10/2016 15h32
Por: Redação
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“O único jeito de descobrir esse segredo é apertando o play”

 

“Os treze porquês” é narrado por Clay Jensen, um rapaz que, ao voltar um dia da escola, encontra na porta de sua casa um misterioso pacote com seu nome. Dentro ele descobre várias fitas cassetes. O garoto ouve as gravações e se dá conta de que elas foram feitas por Hannah Baker, uma garota que cometeu suicídio duas semanas atrás. Nas fitas, Hannah explica que existem treze motivos que a levaram à decisão de se matar. Clay é um desses motivos. Agora ele precisa ouvir tudo até o fim para descobrir como contribuiu para esse trágico acontecimento. (Wikipédia)

 

“Ninguém sabe ao certo quanto impacto tem na vida dos outros. Muitas vezes não temos noção. Mas forçamos a barra do mesmo jeito". (Os Treze Porquês)

 

Livro

 

Escrito por Jay Asher a ficção foi lançada no Brasil pela editora Ática, em 2009. O que, segundo a youtuber e professora de Inglês, Tatiana Feltrin, é algo a se destacar já que essa editora só costuma lançar livros jovem-adulto quando tratam de temas que podem ser discutidos.

 

RESENHA DE OS 13 PORQUÊS POR TATIANA FELTRIN

 

O livro fala sobre suicídio, um tema tabu que merece e precisa ser discutido mais abertamente na sociedade, principalmente com jovens e adolescentes. A história possui duas narrações simultâneas: a de Clay, que escuta as fitas, e a de Hanna, que conta seus motivos nelas.

 

Cada lado das fitas traz a história de uma pessoa da escola de Hanna que contribuiu para o suicídio da garota e como ela cooperou. Alguns dos motivos da personagem podem parecer bobos aos olhos do leitor, pois se tratam de acontecimentos corriqueiros pelos quais muitos de nós já passamos, mas isso só fortalece a teoria do efeito dominó, onde um pequeno ato desencadeia outros de proporções maiores ou menores e, no fim, ninguém está preparado para aguentar todos ao mesmo tempo.

 

"Suponho que, para mim, essas fitas sejam uma terapia poética". (Os Treze Porquês)

 

Por sua vez, o efeito dominó nos faz pensar em como nossas ações podem afetar as pessoas. Jay Asher diz em entrevista que “apesar de Hanna admitir que a decisão de tirar a própria vida foi inteiramente sua, é importante estarmos conscientes do modo como tratamos os outros. Mesmo que alguém pareça ignorar um comentário casual ou não se deixar afetar por um boato, é impossível saber tudo o que se passa na vida daquela pessoa e o quanto podemos ampliar sua dor”. Precisamos ter mais empatia.

 

"Todo mundo quer conversar. Ninguém quer fazer algo a respeito." (Os Treze Porquês)

 

Não é um livro fácil de ler, já que possui momentos pesados. A obra aborda outros temas fortes além do suicídio, como bullying, voyeurismo, estupro e assédio. Temas polêmicos que, assim como a temática principal, precisam ser debatidos abertamente.

 

Outro ponto interessante do livro, além da entrevista com Jay Asher no final, é que a última página do livro traz números de departamentos de psicologia de alguns hospitais do Brasil para que, caso o leitor se identifique com os sintomas de Hanna Baker, procure ajuda.

 

"Se você escuta uma canção que te faz chorar quando você está cansado de lágrimas, não a escuta mais. Mas não dá pra fugir de si mesmo. Não dá pra tomar a decisão de deixar de se ver para sempre. Não dá pra tomar a decisão de desligar aquele ruído dentro da sua cabeça".(Os Treze Porquês)

 

Série

 

Em março de 2017 o livro foi adaptado para série homônima pela Netflix, tendo como uma das produtoras a cantora Selena Gomez e o próprio Jay Asher dentre os roteiristas. A série possui treze episódios de aproximadamente 50 minutos cada, enquanto o livro tem menos de 250 páginas. Conclui-se, com apenas essa informação, que livro e série são bem distintos.

 

TRAILER DA SÉRIE 13 REASONS WHY

 

Levando-se em conta que o livro traz o ponto de vista da história a partir de Clay, que apenas ouve as fitas durante uma noite e as repassa – como solicita Hanna nas gravações – não chegamos a conhecer os outros personagens senão pelo que Hanna conta nas fitas. A série construiu todo um contexto mostrando a vida de cada um dos envolvidos antes e depois do suicídio.

 

Um dos pontos mais interessantes é que a série nos apresenta o lado dos pais de Hanna Baker, que mal são citados no livro. Na adaptação, sofremos com eles a perda da única filha que decidiu se matar sem deixar nem uma justificativa, nem um bilhete para seus pais, que, aliás, são quem encontra o corpo da menina.

 

"E se a única forma de não se sentir mal, for parar de sentir, qualquer coisa, pra sempre?"

Um dos pontos negativos – sempre há pontos negativos – é o que fizeram com Clay, enquanto no livro ele vira a noite ouvindo as fitas, na adaptação ele leva dias para terminar tudo. Óbvio que os roteiristas sabem que essa enrolação irritou muita gente, tanto que em várias cenas colocam outros personagens questionando a demora de Clay.

 

CANAL OMELETE DÁ SEU VEREDITO SOBRE A SÉRIE

 

Como o livro, a série tem momentos difíceis – põe difícil nisso – pois apresenta cenas de assédio, estupro e suicídio, coisas que não costumamos estar prontos para ver e esse é um dos motivos que gerou tanta polêmica ao redor dessa produção. Os canais de atendimento do Centro de Valorização a Vida não são citados, o único aviso é dado no início dos capítulos com cenas mais pesadas para que o espectador se prepare para o que está por vir, o que só aumenta a ansiedade.

 

ALERTA: se estiver sensível emocionalmente, tendo pensamentos depressivos, se sentindo sozinho e não vendo sentido na vida, NÃO ASSISTA A SÉRIE. BUSQUE IMEDIATAMENTE A AJUDA DE UM PROFISSIONAL.

 

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