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Cultura Edrudita

Cultura Erudita na região de Parelheiros

A cultura erudita não pertence somente a elite e hoje pode ser democratizada e acessada pelos moradores de bairros marginalizados

19/09/2019 16h18Atualizado há 4 semanas
Por: Caroline Barbiero
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A cultura erudita é classificada como um costume que é praticado por aqueles que têm alto grau de nível acadêmico e, portanto, estaria restrita a um grupo reduzido de pessoas com o argumento de que a prática e o consumo exigem intensa análise e investigação. Sob esse pensamento, por muito tempo, certos conhecimentos estiveram limitados apenas a elite social.  Como exemplos dessa prática pode-se citar a música clássica, o ballet, artes plásticas ou a literatura clássica.

Ao olhar por um ponto de vista contemporâneo, talvez, a cultura erudita não devesse ser mais vista dessa forma, já que residentes da periferia estão usufruindo desses hábitos. André Luiz Vieira Barboza (53), coordenador e a administrador do O Tom da Alma - programa iniciado em janeiro deste ano que acontece no bairro no Colônia e ensina crianças e adolescentes a tocarem quase todos os tipos de instrumentos, música e canto - explica que o projeto foi levado ao bairro com o intuito de fortalecer a juventude e mostrá-los algo novo; “O IDH da região é baixo. As notícias transmitidas pela mídia são sempre sobre criminalidade, então resolvemos reativar esse projeto para fortalecer a juventude”, finaliza.

Hoje é cobrado uma mensalidade de R$30,00 pelo curso, e o ambiente conta com 52 crianças matriculadas entre 6 e 16 anos de idade. O coordenador informa ainda que o programa já fez com que muitos jovens, moradores da periferia, tocassem em grandes orquestras. De acordo com ele, o tempo dos jovens sendo gasto em algum tipo de arte é extremamente satisfatório, pois o fato de uma criança não estar usando seu tempo para o aprendizado pode ser prejudicial no futuro. Ele conclui dizendo que o acesso a uma cultura diferente pode diminuir muito as chances de crianças e adolescentes se ligarem a aspectos negativos que a vida na periferia pode proporcionar.

A bailarina Anny Gabrielly de Lima Dorneles, 14, pratica ballet desde pequena. Anny explica que se sente feliz em saber que crianças de baixa renda têm acesso a esse tipo de arte e podem realizar seus sonhos mesmo com grandes dificuldades. “Meu interesse pelo ballet começou quando eu descobri que a minha mãe tinha o sonho de ser uma bailarina, mas, como antigamente era difícil por conta das condições financeiras, ela não pôde realizar seu sonho e também por ser deficiente física, com tudo isso eu acabei criando esse sonho”, explica.

O pai de Anny Gabrielly, João Justino Dorneles,51, oferece total apoio a filha no meio artístico. Ele comenta que tem muito orgulho dela e que pretende fazer parte de sua carreira até o fim. “Se a pessoa tem o talento e determinação dentro de si, não existe dificuldade que a impeça de realizar seu desejo. A dança é boa para não pensar naquilo de negativo que a vida proporciona”, diz. 

A professora de dança, Wendy Souza Dangelo,26, diz que é difícil os pais de seus alunos e alunas incentivarem seus filhos com a dança por acharem que essa atividade não os levará a nenhum lugar, mas, de tal modo, existem pais que investem o quanto podem. Wendy ainda destaca: “as ONGs e os CEUs são fundamentais para abrir portas as pessoas que não tem condições de exercer as diversas artes dentro da cultura, tais como oficinas, aulas regulares de alguma modalidade e eventos dos bairros”.

As aulas do programa que André coordena acontecem no espaço do Cemitério de Colônia, de segunda a sexta-feira, das 8h às 18h. As turmas são separadas por idade e nível de aprendizado. O Tom da Alma é muito importante para os moradores da região de Parelheiros e visivelmente já está fazendo a diferença. No entanto, os recursos disponíveis são baixíssimos e o projeto precisa de ajuda para progredir e não necessariamente precisa ser financeira, mas sim de doações de instrumentos musicais e outras ferramentas de trabalho, como folha sulfite. No caso de interesse em doações, entre em contato com a produção deste Jornal.

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