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Meio Ambiente

Não é só o canudinho. A guerra agora é contra as embalagens de plástico

Depois desse “rico” cutucão, muitas dessas companhias mudaram suas políticas de uso de plástico. A Unilever, por exemplo, anunciou no mês passado que pretende cortar pela metade o uso de plástico “virgem” até 2025

22/11/2019 07h16
Por: Redação
Fonte: 6 minuto
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O que descobrimos

  • O Brasil é o 4º maior produtor de lixo plástico do mundo, com 11,3 milhões de toneladas, ficando atrás apenas dos Estados Unidos, China e Índia, segundo levantamento do Banco Mundial.
  • Desse total, só 1,28% é efetivamente reciclado – um dos menores índices da pesquisa e bem abaixo da média global de reciclagem plástica, que é de 9%.
  • Por pressão de investidores e da população, grandes e pequenas empresas começam a diminuir o uso do material.
  • No Brasil, leis municipais e estaduais baniram o uso do canudinho de plástico. Agora, o que está na mira são os talheres e copos de plástico. A Câmara Municipal de São Paulo proibiu o uso desses itens em estabelecimentos comerciais

Ainda hoje, na hora de desenvolver um produto ou uma embalagem, o plástico continua sendo o material favorito das indústrias. Afinal, custa menos, é mais leve e mais resistente. Na ponta do lápis, isso significa menor investimento, transporte mais barato e menores perdas. Mas a pressão dos consumidores e também de investidores preocupados com o meio ambiente começa a mudar esse comportamento.

De olho no volume de plástico que vaza para os oceanos todos os anos – cerca de 10 milhões de toneladas, o que equivale a 23 mil aviões Boeing 747 segundo o WWF (Fundo Mundial para a Natureza) – a sociedade passou a pressionar o poder público e também as companhias. Daí vieram leis que restringem o uso de sacolas e canudos plásticos.

Investidor ativista

As empresas – principalmente as multinacionais – demoraram um pouco mais para se mexer. As atitudes mais concretas aconteceram depois que um grupo de 25 investidores,  que administra mais de US$ 1 trilhão em ativos, passou a exigir no ano passado que Nestlé, PepsiCo, Procter & Gamble e Unilever reduzissem o uso de embalagens plásticas. O grupo, batizado de “As You Sow” (Como Você Semeia), é detentor de ações dessas empresas e inclui gestoras de investimentos como Hermes Investment Management, Impax Asset Management, NEI Investments e Walden Asset Management.

É bom lembrar que Nestlé, PepsiCo, Procter & Gamble e Unilever foram consideradas por um estudo do Greenpeace as empresas que mais produzem lixo plástico no planeta.

Depois desse “rico” cutucão, muitas dessas companhias mudaram suas políticas de uso de plástico. A Unilever, por exemplo, anunciou no mês passado que pretende cortar pela metade o uso de plástico “virgem” até 2025, “acelerando a utilização de plástico reciclado”. Aqui, isso também vai acontecer, segundo Antonio Calcagnotto, chefe de assuntos corporativos e sustentabilidade da Unilever Brasil.

“Fortalecemos nossos esforços para impulsionar ações e inovações para que tenhamos embalagens multiúso (reutilizáveis e/ou refis), materiais alternativos para embalagens ou produtos nus (sem embalagem). Também investimos em produtos concentrados para reduzir a quantidade de plástico utilizado nas embalagens”, diz Calcagnotto.

Um exemplo disso foi a mudança na linha de sabão em pó Omo, que agora usa plástico reciclado em 100% das garrafas.

Já a suíça Nestlé fez uma parceria com a Veolia, uma multinacional francesa de tratamento de água, resíduos e energia para coleta, classificação e reciclagem de materiais plásticos. “Ainda estamos em conversas bem preliminares para implantar esse projeto no Brasil”, diz Cristiani Vieira, gerente de sustentabilidade ambiental da Nestlé Brasil. Mas a companhia, segundo ela, está retirando os canudinhos plásticos das embalagens de Nescau e os trocou por canudos de papel biodegradável. A iniciativa, diz a executiva, vai retirar mais de 4 milhões de canudos plásticos do mercado no primeiro ano do projeto.

Pontuais

O impacto parece grande, mas ainda é muito pouco, na avaliação da consultora de sustentabilidade, Roberta Mourão, fundadora da Loa Terra, que ajuda empresas a se tornarem mais sustentáveis. “É louvável que as companhias tomem essas atitudes, mas diante do estrago que causam, elas precisam fazer muito mais”, afirma.

O problema, segundo Roberta, é que além dessas ações ainda serem pontuais, o grosso das indústrias ainda está substituindo papel ou lata por plástico – só porque é mais barato, sem considerar o impacto ambiental.

“Mas acredito que isso pode mudar, conforme cresce a pressão do consumidor mais consciente”, diz ela. Patrícia Rocha, coordenadora de meio ambiente da Verallia, fabricante de embalagens em vidro, concorda. Empresas envazadoras de água e de refrigerantes artesanais têm demonstrado, segundo ela, “grande interesse de retomar a tendência de embalagens de vidro”.

Economia circular

Patricia explica que uma embalagem de vidro é mais cara que a de plástico. Mas o vidro tem a vantagem econômica de ser 100% reciclável, por infinitas vezes e também pode ser reutilizado. “Uma nova embalagem de vidro pode ser fabricada exclusivamente a partir de caco, enquanto que o plástico utilizado em embalagens de bebidas e alimentos só pode ser produzido a partir de matéria-prima virgem, ou seja, a embalagem de plástico não pode ser reciclada para o mesmo fim”, diz ela. “O custo financeiro do vidro é compensado pela sustentabilidade do produto e pela capacidade de circularidade na economia.”

Pequenas empresas

Empresas menores também estão entrando na onda de diminuir – ou substituir –  o uso do plástico. No Piauí, a Polo Sustentável, especializada em lixeiras para coleta de lixo reciclável, criou em 2012 um copo descartável de papel que, 18 meses depois de descartado, se decompõe. Ele parece um pequeno envelope, que a pessoa abre e usa como copo. “Vendemos 20 mil unidades no primeiro ano. Agora vamos fechar o ano com 2 milhões de unidades e queremos dobrar esse número em 2020”, explica Daniel Alves Miranda, proprietário da Polo Sustentável.

A Yvy Brasil, um braço da Terpenoil Química Verde, especializada em produtos de limpeza concentrados para hotéis e hospitais, foi criada há um ano e oito meses para diminuir o uso de plástico no consumo de detergentes e outros materiais de limpeza. Segundo a empresa, que tem sede em Jundiaí (SP), uma vez que 90% da composição dos produtos de limpeza é água, ao comercializá-los de forma concentrada, há uma economia de pelo menos 60% no uso de plástico. Os produtos ainda são vendidos em embalagem plástica (pequenas cápsulas de 40 ml). Mas a Yvy recolhe as cápsulas e as transforma em prendedores de roupa.

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