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Memorial

“COLÔNIA ALEMÃ DE SANTO AMARO, UMA TRAJETÓRIA ÍMPAR (1829-2017) "

Capítulo 2

19/12/2017 17h42
Por: Redação
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Imagem: Banco de dados do Google
Imagem: Banco de dados do Google

  Capítulo 02

 

Fixação dos Colonos na Região

 

 

Originalmente, depois de longas discussões por parte dos poderes políticos da então Província de São Paulo (atual Estado de São Paulo), os colonos alemães enviados da Corte do Rio de Janeiro para a Província, foram, em 1829, fixados definitivamente na região da então Freguesia de Santo Amaro (atual região de Parelheiros, bairro Colônia).

 

Ao aportarem em Santos, designou-se o Doutor Justiniano de Mello Franco, médico do Hospital Militarde São Paulo, como Diretor dos colonos. De Santos todos rumaram para o citado hospital, onde permaneceram provisoriamente enquanto o Governo Provincial deliberava sobre o destino dos mesmos. Pensou-se primeiramente fixar a colônia em Juquiá, Quilombo (sertão de Itapecerica, atual Juquitiba-SP), São Vicente, Itanhaém, Itapecerica, Mboy (atual Embu das Artes-SP) ou Carapicuíba, embora nunca essas decisões tenham surtido real efeito, e nem os próprios colonos se mostrassem satisfeitos com tais deliberações.

 

Finalmente, depois de longas discussões, resolveu-se mandar os colonos para a região do “sertão” de Itapecerica, mais precisamente para o local denominado “Quilombo”, localizado nas cabeceiras do Rio São Lourenço. De São Paulo, os colonos e seus familiares rumaram para a região de Itapecerica, empregando-se os homens na abertura da estrada que os conduziria até o Quilombo (cuja localização atual presumimos, de acordo com documentações de partilhas de terras que pesquisamos, ser entre os atuais bairros Palmeirinha, Laranjeiras e Padeiros, pertencentes hoje aos municípios de São Lourenço da Serra e Juquitiba).

 

Após um sumário exame sobre a qualidade das terras do Quilombo, chegou-se à conclusão de que as mesmas eram estéreis, inaptas para a agricultura, profissão a qual os alemães vieram imbuídos como requisito básico para serem colonos no Brasil, além do que, a região era extremamente montanhosa, com poucos cursos de água que garantissem a sobrevivência dos colonos.

 

Então começou um duro calvário aos colonos, que foram levados de um lado a outro sem uma certeza onde deveriam se fixar.

 

Estamos em dezembro de 1828, quando o Diretor Mello Franco foi ver umas terras na Freguesia de Santo Amaro que poderia acomodar os 101 colonos chefes de família, o qual por meio de um ofício assinado em Itapecerica finalmente aceitaram receber do Governo as terras que lhe foram prometidas em contrato firmado entre eles colonos e o Império Brasileiro, ao saírem da Alemanha. Nem todos os colonos saíram de Itapecerica, onde alguns permaneceram e tiveram larga descendência, até os dias atuais, destacando-se os Fischer, os Cremm, os Weisahupt, os Hengles, etc.

 

De Itapecerica, os colonos foram levados ao centro da Freguesia de Santo Amaro, e acomodados provisoriamente numa chácara, denominada “Chácara do Nardis”, cuja localização seria onde hoje existe atualmente o terminal de ônibus.

 

Do local, aos poucos, desde janeiro até julho de 1829, as famílias foram se retirando para tomarem posse de seus lotes de 400 braças em quadra, localizados onde se formou o bairro Colônia (atual Colônia Paulista).

 

Aos 29 de Junho de 1829, os lotes até então demarcados foram sorteados entre as famílias; a partir dessa data, muitos colonos preferiram deixar e mesmo “abandonar” os lotes que receberam do Governo devido à má qualidade das terras e se fixar ao redor do núcleo colonial, no que chamados “área de dispersão”, procurando adquirir as melhores e mais férteis terras possíveis, iniciando uma modesta, porém promissora, vida como lavradores, plantando para a sobrevivência familiar e comercializando o excedente, principalmente no Centro de Santo Amaro.

 

Mesmo divergindo entre si em aspectos religiosos (a maioria inicialmente Protestante e a minoria Católica), os colonos foram responsáveis por uma sensível prosperidade na região, demonstrando um empreendedorismo que em nenhuma outra região circunvizinha pôde ser vislumbrada. Posteriormente, muitos sítios de descendentes dos colonos, como dos Schunck e dos Roschel, principalmente, conseguiram alcançar uma grande prosperidade e independência, verificando-se até mesmo geração de energia elétrica, através de dínamos movidos por força hidráulica, melhoramento nunca antes visto em suas épocas.

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