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Memorial

“COLÔNIA ALEMÃ DE SANTO AMARO, UMA TRAJETÓRIA ÍMPAR (1829-2017)”

Capítulo 5

03/04/2018 17h18
Por: Redação
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Imagem: Banco de dados do Google
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Capítulo 05

Serrarias

 

 

Muitos dos alemães estabelecidos em vários locais ao redor do núcleo da Colônia e principalmente os que se estabeleceram e não saíram do próprio núcleo, dadas as dificuldades e impossibilidades de se dedicarem à lavoura, devido à infertilidade das terras, acabaram por se dedicar à extração de madeiras das ricas e luxuriantes matas tropicais, onde muito abundavam espécies nobres e procuradas, como diversas espécies de canela, grumixama, uvatí, passariúva e sapopema (sapopemba).

 

Dessa forma, ergueram-se diversas serrarias para beneficiamento das madeiras brutas (toras), as quais muito contribuíram para a construção de casas para os próprios colonos, seus descendentes e demais habitantes das circunvizinhanças, que procuravam nas serrarias a madeira aparelhada que substituiria a técnica do pau-a-pique e taipa de pilão na construção de casas e paióis.

 

Os colonos e descendentes mais antigos que montaram serrarias, espelharam-se originalmente no Capitão Joaquim Manoel de Moraes ( 1838), Juiz de Paz de Santo Amaro, que na época da instalação da colônia, mantinha uma considerável serraria tocada pelas águas do Ribeirão Vermelho, junto ao local onde as terras devolutas seriam distribuídas aos alemães; até ali havia uma estrada, por onde as madeiras beneficiadas pela serraria eram levadas até Santo Amaro (por tal motivo alguns historiadores partilham da ideia de que a Colônia Alemã tenha sido instalada estrategicamente no local, devido a interesses políticos do Capitão Joaquim Manoel em prover sua empresa madeireira da mão-de-obra dos colonos). Em 1862, a Câmara Municipal de Santo Amaro informava ao Governo Provincial que a “exportação” de madeiras lavradas para a Capital da Província era avultada; tal progresso deveu-se em grande parte aos colonos alemães e descendentes que se dedicaram a tal atividade. (João Netto Caldeira, Álbum de Santo Amaro, 1935, página 71). Em 1935, no antigo município de Santo Amaro, havia 12 serrarias funcionando (cf. Álbum de Santo Amaro, página 102), das quais a maioria era tocada principalmente por descendentes dos colonos alemães.

 

Em várias épocas as serrarias dos descendentes dos colonos se destacaram como promovedoras de mão de obra. Na Colônia havia a serraria de Henrique Reimberg (Henrique Magro) (1894-1977), que funcionou 1914 a 1977, por cuja causa os arredores ainda hoje se chamam “Bairro da Serraria”. No Embura, a serraria de Jacob Reimberg Filho (Jacob Adão) (1890-1962) era tão frequentada que dentro do próprio estabelecimento foi montado um pequeno armazém; por volta de 1935 trabalhavam na serraria “cinco hábeis operários”, e o vapor que tocava o maquinismo trabalhava com 6 H.P. de força motriz; assim como a serraria de Henrique Reimberg, também a de Jacob determinou que a área ao redor da mesma se chamasse “Bairro da Serraria”, por algum tempo. O irmão caçula de Jacob, Henrique Reimberg Roschel (Henrique Adão) (1901-1980), também possuía próspera serraria pelos lados do Quinze. No Cipó, João Schunck (João Cipó) (1898-1975), tocava uma serraria, oriunda da época de seus finados pais Henrique Schunck (Henrique da Venda) (1850-1930) e Maria André Claus (Marica Schunck) (1861-1934), cuja força motriz era de 4 H.P. Na Lagoa Grande existiu a serraria de Silvano Klein Branco (Silvano Pires) (1898-1888), chamada “Serraria da Lagoa”, que por volta de 1935, beneficiava em média 80 metros cúbicos de madeira por mês. (Álbum de Santo Amaro, páginas 178, 212, 226 e 227). Um neto do citado Jacob Reimberg Filho, Martiniano Casac (1937-1991), possuía serraria perto do Cipó, mantida ainda hoje pelo filho Wilson Schunck Casac (*1965). Em Santo Amaro, muito famosa e próspera foi a serraria de José Conrado (1882-1959), localizada na Alameda Santo Amaro, 47, chamada “Serraria Progresso”; em 1910 José, em companhia de César Zanella montaram no local, além da serraria já existente, uma fábrica de móveis; após César ter se retirado da sociedade, a fábrica passou a ser chamada “Fábrica de Móveis José Conrado”; na noite de 27 para 28-2-1920 o local foi totalmente destruído por um incêndio; em 1922 o empreendimento, já reconstruído, contava com cerca de 150 funcionários.

 

Em nossas pesquisas, elencamos vários outros descendentes dos colonos alemães que dedicaram-se à atividade madeireira, em diversas épocas diferentes, e em diversos locais, dos quais destacamos representantes das seguintes famílias: Cloos (Cipó), Doll (Cipó), Glasser (Varginha; Ponte Alta; Santo Amaro; Socorro; Penteado e Santa Rita, em Embu-Guaçú-SP), Gotsfritz (Colônia), Hengler (Cipó; Limeira, em São Bernardo do Campo-SP), Hessel (Barragem; Cipó; Cipó do Meio), Klein (Rio Bonito; Jardim Silveira; Paraíso; Cipó), Reimberg (Colônia; Barragem; Vargem Grande; Chácara Progresso; Jardim Moraes Prado; Jardim Itajaí; Itambé-PR), Rocumback (Santo Amaro; Barragem; Evangelista de Souza; Vargem Grande; Embu-Guaçú-SP; Itapecerica da Serra-SP), Roschel (Itaim; Vargem Grande; Varginha; Parelheiros; Embura; Gramado), Schunck (Araguava, atual Parque Florestal; Gramado; Lagoa Grande; Embura; Cipó), Wever (Itapecerica da Serra-SP), Zillig (Chácara Progresso; Jardim Moraes Prado; Eldorado; Rio Acima e Taquecetuba, em São Bernardo do Campo-SP).

 

Muitos descendentes dos colonos também prestaram seus serviços como empregados em serrarias de outros descendentes.

 

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