Bem Vindo
Memorial

“COLÔNIA ALEMÃ DE SANTO AMARO, UMA TRAJETÓRIA ÍMPAR (1829-2017)”

Capítulo 6

24/05/2018 17h15
Por: Redação
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Imagem: Banco de dados do Google
Imagem: Banco de dados do Google

Leandro Hessel (texto e foto)

Capítulo 06

 

Carvoeiros

 

Além das madeiras destinadas ao beneficiamento nas diversas serrarias, como comentamos no Capítulo anterior, algumas famílias de descendentes dos alemães se aplicaram também no fabrico do carvão vegetal, mormente pelos lados do Córrego Preto (atual Barragem), Evangelista de Souza, Capivari, Campo da Serra e Engenheiro Marsilac, cujo auge da produção atingiu o pico na década de 1940, durante a Segunda Guerra Mundial.

 

Devemos registrar aqui que também existiram hábeis lenhadores, carpinteiros e marceneiros entre as gerações mais antigas, cujos nomes citaremos nas respectivas genealogias que serão publicadas para o futuro.

 

Inúmeras famílias dedicaram-se à fabricação de carvão, chegando até mesmo ao ponto de umas trabalharem para outras. Vejamos um exemplo: A Família Christe (Salvador Christe da Silva) fazia carvão para a Família Klein (Arlindo Pedro da Silva), que revendia para a Família Gotsfritz (Calixto Gotsfritz), que repassava para o armazém da Família Hessel (Crispim Hessel), que por fim vendia o carvão ao consumidor final.

 

Em sessão da Câmara Municipal de Santo Amaro, realizada em 7 de Maio de 1902, discutiu-se sobre a “necessidade de se taxar imposto sobre os fabricantes de carvão, bem como tratar-se de conseguir os meios necessários a estabelecer a feira de madeiras nas proximidades da estação da via férrea que liga este município ao da capital, melhoramento, este que bastante impulso dará ao progresso local mas não sendo possível tratar-se na presente sessão em virtude do adiantado da hora e mesmo porque o assumpto exige de alguns estudos, (o presidente da câmara) nomeou uma comissão para estuda-lo e trazer ao conhecimento da Câmara na próxima sessão”. Tais alvitres foram discutidos e implantados em sessões realizadas em junho e julho de 1902 e janeiro e março de 1903. Havia também um imposto para vendedores de carvão, que durante muito tempo era de 30$000, e que em 1928 foi corrigido bruscamente para 100$000.

 

Desde longa data os descendentes dos colonos fabricavam carvão, contudo, à partir das décadas de 1870 e 1880, quando chegaram os Italianos estabelecidos em São Bernardo do Campo, região de certa forma limítrofe à Colônia, os citados descendentes tiveram um novo impulso no empreendimento, pois os Italianos sempre foram hábeis no fabrico do carvão desde que chegaram à região. Ao se aproximarem da região da Colônia, e se relacionando com os descendentes dos colonos, começaram a adquirir dos mesmos, mediante a compra ou arrendamento, grande extensão de matas virgens, passando a fabricar o carvão vegetal.

 

Os Italianos acabaram atraindo a mão-de-obra dos descendentes dos colonos alemães para o fabrico do carvão, fazendo com que nestes nascesse o impulso de também fabricarem carvão às próprias custas, independentemente. Mais uma vez, descendentes dos colonos alemães anteviram, assim como os demais habitantes da região, que a fabricação de carvão poderia lhes trazer alguma prosperidade.

 

Quase à para com as serrarias, alguns colonos e descendentes optaram por esse serviço “mais bruto”: que foi a fabricação de carvão vegetal.

 

Havia duas maneiras de se fabricar carvão: em fornos cavados em barrancos e guarnecidos de tijolos e em fornos ovais, as chamadas “caieiras”, levantados em campo aberto (sendo esta última técnica a que produzia carvão da melhor qualidade). As melhores madeiras empregadas no fabrico do carvão, em nossa região eram: milho-cozido, vatinga, vatinga-de-leite, massaranduba-de-leite e guapeva; às vezes empregava-se até mesmo tronco de araçá.

 

Os fabricantes de carvão geralmente residiam no meio da mata, em ranchos improvisados, construídos de madeiras roliças e cobertos de guaricanga, dormindo em tarimbas improvisadas.

 

O Serviço de Proteção Florestal do Estado de São Paulo embargou definitivamente a produção de carvão vegetal pela região no ano de 1952. Por essa época havia em Parelheiros um grande galpão comunitário onde os carvoeiros da região guardavam sua produção já ensacada, cujos sacos traziam gravadas as iniciais de cada produtor. As famílias que mais se destacaram no fabrico do carvão vegetal foram: Gotsfritz, Guilger, Klein e Reimberg.

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