Bem Vindo
Memorial

“COLÔNIA ALEMÃ DE SANTO AMARO, UMA TRAJETÓRIA ÍMPAR (1829-2017)”

Capítulo 10

05/11/2018 16h58
Por: Redação
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Capítulo 10

 

Os Jardins e Quintais

 

Como dissemos no Capítulo 08, quando tratamos do assunto “As Residências”, geralmente a casa de morada principalmente da primeira e da segunda geração (quer fosse de barro, madeira ou alvenaria), era construída sobre um tope de inclinação suave cujo terreiro era cercado de tábuas horizontais, não muito distante de um pequeno córrego onde se abasteciam de água potável e que, represado em determinada área, fazia movimentar o tosco engenho de fazer farinha.

 

Neste Capítulo trataremos dos “Jardins e Quintais”, o modo como os quais eram geralmente organizados, nos sítios e chácaras das gerações mais antigas dos descendentes dos colonos.

 

As árvores frutíferas mais comuns eram laranjeiras, pereiras, pessegueiros, uvaieiras e jabuticabeiras. Em determinado ponto do quintal havia um pé de pita cuja “baba” das folhas era usada para tirar nódoas das mãos.

 

Em 1933, quando o Pastor Luterano Martin Begrich (1897-1971) visitou a Colônia, regiões vizinhas e algumas áreas de dispersão das famílias pioneiras, teve a oportunidade de observar os jardins e quintais de alguns sítios de descendentes, enumerando as plantas mais encontradiças, que eram: roseiras que trepavam na base das janelas das casas, camomila, hortelã, papoula, flox, verônica, malva, absinto (losna), manjericão, alecrim, olíbano (incenso), violetas, calêndula, fumaria, manjerona, campânula, erva-doce, uma espécie de trevo-doce oriundo da Alemanha e dentes-de-leão (que vicejavam em tal profusão que até pelos caminhos já eram flores nascidas espontaneamente); nas hortas ele observou: salsa, azeda, repolhos, espargos, trigo e feijão-de-cavalo (fava-de-cavalo) (mais raramente).

 

Johannes Keller, companheiro de Begrich pela excursão, escreveu o artigo no Deutsche Zeitung (Jornal Alemão), intitulado “Auf den Spuren der alten Deutschen” (Seguindo os Passos dos Velhos Alemães), falando também sobre a visita que fizeram à Colônia e regiões vizinhas, e descreve, quando passaram por uma casa da Família Guilger: “casa bonita e espaçosa, grande mesa, fogão no canto, no jardim plantas alemãs (...)”.

 

As plantas de jardim mais encontradiças, principalmente a partir da terceira geração, eram a dracena, hortência, roseiras, cravos, grama-preta, manacá-de-jardim e camélia, além das herbáceas: palmas, lírios, bocas-de-leão de diversas cores, margaridas (brancas e amarelas) e outras; havia também as plantas medicinais, das quais as mais comuns eram: alecrim, arruda, borragem, erva-cidreira-rasteira, poejo e incenso; as usadas como condimento eram principalmente a manjerona e cominho (orégano), utilizadas sobretudo para temperar o saboroso chouriço.

 

Em muitos quintais não havia divisão clara entre jardim e horta, misturando-se plantas ornamentais, medicinais e hortaliças em um mesmo local. Na maioria dos quintais não poderia faltar a tuia ou cipreste e o imponente cactus-cereus (chamado de talandeiro e pau-de-quina), observado amplamente pelo Pastor Martin Begrich em 1933. O cactus-cereus desaparece dos jardins e quintais dos descendentes à partir da quarta geração dos mesmos; em antigos sítios da terceira geração e em algumas taperas ainda hoje podem ser vistos alguns exemplares; da quarta geração detectamos somente uma residência em cujo jardim encontra-se a espécie (descendente da Família Reimberg, na Colônia), da quinta geração, detectamos igualmente a espécie em um único sítio (descendente da Família Glasser, no Bairro Chácara Santo Amaro). O cactus-cereus era usado para uma certa simpatia que curava a bronquite e também como uma espécie de para-raios natural.

 

Principalmente a dracena vermelha (cordyline terminalis) (de folhas vermelhas), chamada por alguns de palmeirinha, foi amplamente usada em jardins, inclusive foi outrora vastamente cultivada no Cemitério da Colônia; a planta ainda pode ser vista em alguns velhos sítios, remanescentes das gerações antigas.

 

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