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“COLÔNIA ALEMÃ DE SANTO AMARO, UMA TRAJETÓRIA ÍMPAR (1829-2017)”

“COLÔNIA ALEMÃ DE SANTO AMARO, UMA TRAJETÓRIA ÍMPAR (1829-2017)”

20/09/2018 16h52
Por: Redação
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Imagem: Banco de dados do Google
Imagem: Banco de dados do Google

Por: Leandro Hessel

 

 

Capítulo 09

As Capelas

 

Em alguns sítios de colonos Católicos e seus descendentes era comum a existência de uma capela ao canto do terreiro ou um cruzeiro no centro do mesmo.

 

A ereção de capelas era essencial para a manutenção doméstica da religião Católica.

 

Algumas capelas serviram de núcleo central para encontro da comunidade vizinha, originando Bairros inteiros ao seu redor, como a capela de Henrique Schunck Filho (Henrique da Venda) (1850-1930) e Maria André Claus (Marica Schunck) (1861-1934) (dedicada a São Sebastião), que deu origem ao Bairro do Cipó e à Paróquia local. Também a capela construída em 1919 por José Schunck (José da Venda) (1856-1940) e pelo Italiano Venâncio Poletti (1880-1939) (casado com uma sobrinha de José), dedicada à São José, inaugurada pelo Arcebispo D. Duarte Leopoldo e Silva (1867-1938), que deu origem ao Bairro da Vila São José e à Paróquia local. A capela de Henrique Schunck Filho (1884-1968) e Catharina Christe Roschel (Cáthia) (1898-1976) ainda existente, no Gramado, que deu origem à comunidade católica local, culminando na construção de uma igreja do outro lado da estrada. A capela de Francisco Branco de Araújo (1818-1892) e sua esposa Anna Joaquina Rocumback (1820-1894), dedicada à Santa Rita de Cássia, entre o Socorro e Rio Bonito (atual Veleiros), que deu origem à Paróquia de Santa Rita de Cássia, cuja imagem original teria sido trazida da Alemanha pela família Rocumback.

 

No Bairro do Socorro, a primitiva capela local, que já existia antes de 1820, estava construída em terras que mais tarde passaram a pertencer ao Alferes Carlos Klein Filho (Calezinho) (1842-1910); após a capela ter sido demolida, a comunidade Católica local passou a se reunir em uma garagem alugada por Adão Reimberg (Adão Garça) (1892-1975), até que Claudino José Branco (Claudino Pires) (1865-1941), que era casado com Maria Isabel Klein (1877-1908), filha do Alferes Carlos Klein Filho, prometeu doar um terreno para construção de uma nova capela, porém como tivesse desavenças com a Cúria Metropolitana de São Paulo-SP, tal intento não teve sucesso, passando a comunidade se reunir em uma cobertura cedida por Ester de Moraes (Estela) (1912-2004), casada com Pedro Hemmel (Pedro Creca) (1909-1987), até que, por fim, foi construída a igreja definitiva do Socorro.

Pedro Christe do Nascimento (1830-1916), em companhia de José Joaquim de Moraes e Manoel Ignácio de Souza, “representantes dos moradores de Pinheiros” construíram em 1870 uma capela dedicada a São João Batista e Nossa Senhora do Monte Serrate, em terras da antiga Aldeia Jesuítica local, não mais existente na época; tal capela durou muitos anos, e após ter sido demolida, deu origem à atual Igreja de Pinheiros. (Cf. Leonardo Arroyo, Igrejas de São Paulo, Livraria José Olímpio Editora, 1954, páginas 76 e 77). Ainda citamos a capela do Bairro do Juza, construída em terras doadas para tal fim por Rosalina Schunck Roschel (Rosa Juza) (1919-1990).

 

Nos dias atuais, pela vasta área rural de Colônia, Parelheiros e adjacências, ainda existem algumas capelas, cuja existência está intimamente ligada aos descendentes da Colônia Alemã. Citaremos algumas famílias que construíram e/ou mantiveram e ainda mantém algumas capelas: Christe (Parelheiros); Cloos (Cidade Nova América), Glasser (Chácara Santo Amaro); Helfstein (Embura e Parque Florestal); Hengler (Barragem e Cidade Nova América); Hessel Roschel (Parelheiros); Reimberg Hessel (próximo ao Jardim dos Álamos); Rocumback (Vargem Grande); Roschel Christe e Schunck (próximo à Vila Roschel); Schunck (Cipó, Embura e Parque Florestal).

 

Dentre as capelas não mais existentes, havia as das famílias: Cloos (Cidade Nova América); Conrado (Bororé); Glasser (Chácara Santo Amaro); Gotsfritz (Jequirituba); Helfstein (duas capelas) (Parada Quinze); Guilger (Bairro Caiacatinga, em Porto Feliz-SP); Hemmel (depois herdade por Cloos e Reimberg) (Vargem Grande); Hessel (Curucutu; também no Cipó do Meio, minicapela); Reimberg (Parelheiros, Estrada da Colônia, atualmente reconstruída em estilo diferente do original; também em Evangelista de Souza); Rocumback (oratória, na Barragem); Zillig (Jequirituba e Vila Marcelo).

 

Em muitas dessas capelas mais antigas, compareciam padres missionários em “Tempos da Missão”, épocas em que o sacerdote, uma vez ao ano, ou de seis em seis meses, saía da Igreja Matriz de Santo Amaro e percorria as capelas pertencentes a Paróquia, realizando missas, batizados, crismas e até casamentos.

 

 De todas as capelas, merece especial menção a Capela da Colônia, começada em 1909 e inaugurada em 1910 em honra à Nossa Senhora Aparecida. Em sessão da Câmara Municipal de Santo Amaro, realizada em 4 de outubro de 1909, foi lido um requerimento firmado pelo Coronel Luís Schmidt Júnior (1875-1955) no qual “em nome dos moradores do bairro da Colonia, solicita desta Camara a concessão do terreno necessario – vinte metros de frente por quarenta de fundo – para a edificação de uma capella que terá por orága – Nossa Senhora Aparecida”, cujo despacho proferido pelo presidente da mesma câmara, João Teizem Sobrinho (1857-1925) foi: “Sim. Ao Prefeito Municipal (Antônio José Forster [1856-1938]) para mandar proceder a demarcação do terreno pedido”.

 

Após a concessão por parte da Prefeitura Municipal de Santo Amaro, João Frederico Glasser (Fritz Manco) (1843-1919) foi designado como mestre de obras da construção, tendo em sua companhia seus camaradas, sendo alguns escravos libertos; Carlos Bento Mendes (1857-1913) (casado com uma filha do colono João Guilger [João Sapateiro] [1805-1875]), pedreiro e carpinteiro, comandava uma turma de camaradas; Amâncio Joaquim Domingues Bueno (1884-1960) (descendente das famílias Glasser e Reimberg), na época pedreiro, também participou da obra, vindo anos depois formar-se em medicina na Universidade Federal do Rio de Janeiro-RJ. Após a construção da capela, inaugurada em 1910, a antiga “Casa da Santa” construída de madeira, e utilizada pelos descendentes dos colonos Católicos antes da construção da capela para seus serviços religiosos, passou a ser utilizada para hospedagem de padres missionários do “Tempo da Missão”. Segundo relatório da missão realizada em março de 1916 pelo Padre Miguel Ziccardi, da Matriz de Santo Amaro, acompanhado pelo Padre Basílio, Passionista, naquela ocasião foram realizados na Capela da Colônia: 320 confissões, 400 comunhões, 32 primeiras-comunhões, 2 batizados e 1 união legitimada. (Pastas Paroquiais da Matriz de Santo Amaro, arquivadas na Cúria Metropolitana de São Paulo, Pasta nº 5). Em março de 1995 a capela da Colônia passou a ser sede da Paróquia de Nossa Senhora Aparecida e Santo Expedito.

 

Em nossa obra ainda inédita intitulada “Colônia Alemã de Santo Amaro, Uma Trajetória Ímpar (1829-2017)”, pretendemos falar mais amplamente dessas capelas citadas e ainda de antigos cruzeiros, e com maiores informações.

 

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